A educação no desenvolvimento nacional

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

Crédito: Ascom CNC

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

Na década dos anos 1970, um grupo de economistas do Massachussets Institute of Technology, o famoso MIT, baseado em longas series históricas tratou de decompor as taxas de crescimento da economia dos Estados Unidos, para determinar a influência do fator trabalho e do fator capital na composição dessas taxas. Esse ensaio econométrico liderado por Robert Solow, que lhe valeu o Premio Nobel de Economia em 1987, chegou à conclusão que o ritmo expresso na taxa de crescimento não encontrava a totalidade da sua explicação no uso combinado do capital e do trabalho, na produção de bens e prestação de serviços.

Havia uma fração da taxa, um resíduo, que só poderia ter explicação na qualificação das pessoas que compõem a força de trabalho. A partir daí, é o elemento educação dos povos que explica essa fração da taxa de crescimento econômico antes não identificada. Essa, em síntese a hoje denominada Teoria do Resíduo, que põe em relevo a educação como força motora do desenvolvimento econômico e social.

Em que pese o discurso dos nossos governantes em favor da educação como gasto de investimento, se tomamos como referência, para comparação de tais gastos com outros países, dados providos pela OCDE (Organização para a Cooperação e desenvolvimento Econômico) para um conjunto de 36 países, nossa posição não é nada animadora.

Considerados os investimentos em dólares por aluno, nos três níveis de ensino, fundamental, médio e superior, nesse conjunto, o Brasil está apenas acima da Indonésia. Com um dispêndio anual de pouco mais de 3 mil dólares por aluno/ano, esse valor corresponde a 1/3 do gasto médio do conjunto dos 36 países e 1/5 da Suíça, o país que mais investe em educação.

Outro modo de ver os gastos com educação na perspectiva da OECD é comparar o salario inicial pago ao professor do ensino médio. Nesse tema o Brasil é o último da lista com um salário anual de 10.375 dólares. Esse valor representa um terço da média do conjunto da OCDE ou uma sétima parte do que paga Luxemburgo, evidentemente um caso extremo.

O investimento na educação brasileira é sabidamente insuficiente em termos de percepção e resultados, como se vê pelas comparações internacionais, clara explicação do lamentável estado das finanças públicas. Governar implica fazer escolhas e, na hora da verdade, a contenção de gastos com o intuito de conter a expansão exponencial de dívida pública incide fortemente sobre o sistema educacional e das pesquisas.

Neste momento em que o tema da desigualdade na distribuição da renda nacional está na pauta do dia, vale lembrar que as diferenças entre as classes de renda alta, média e baixa decorrem, em larga medida, do nível de educação formal da população. Como é possível constatar nas avaliações sobre a qualidade do ensino no Programa Internacional de Avaliação do Estudante, o PISA em 2016, entre 65 países, o Brasil se classificava na 54ª posição, o que contrasta negativamente com a imagem que o País projeta no cenário econômico internacional.

 

Correio Braziliense de 04 de janeiro de 2018

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