Endividamento dos brasileiros é tema de audiência na Câmara dos Deputados

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A economista Marianne Hanson falou sobre a pesquisa divulgada mensalmente pela CNC
A economista Marianne Hanson falou sobre a pesquisa divulgada mensalmente pela CNC
Crédito
Karina Praça

19/09/2019

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), embasou apresentações realizadas em audiência pública, na Câmara dos Deputados, em 18 de setembro, na Comissão de Legislação Participativa, que tratou sobre o endividamento das famílias e a retomada do crescimento.

A economista da CNC Marianne Hanson,analisou a última pesquisa, divulgada em 13 de setembro, referente ao mês de agosto, que revelou a oitava alta mensal consecutiva no endividamento de 64,8% das famílias. Esse foi o maior índice desde julho de 2013. Também houve alta em comparação aos 60,7% de famílias endividadas em agosto de 2018. No entanto, o percentual de famílias que relataram não ter condições de pagar suas contas em atraso diminuiu para 9,5% ante 9,6% em julho deste ano e 9,8% de agosto de 2018.

“As famílias brasileiras se mostraram mais otimistas em relação à sua capacidade de pagamento, considerando a perspectiva de renda extra com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Atualmente, 20% das pessoas com dívidas têm mais da metade da renda mensal empenhada com parcelas de empréstimos. Esse comprometimento elevado da renda com empréstimos e financiamentos acaba colocando limites na expansão do crédito e do consumo. Porém, nem sempre o endividamento é acompanhado pela inadimplência. O cenário atual, de recuperação lenta do mercado de trabalho, torna mais difícil para uma parcela significativa das famílias renegociar suas dívidas e pagar suas contas em dia”, explicou.

Marianne destacou que, com o aumento da importância do crédito na economia brasileira, sobretudo o crédito ao consumidor, o acompanhamento dos indicadores é fundamental para analisar a capacidade desse endividamento e de consumo futuro, levando-se em conta o comprometimento de sua renda com dívidas e sua percepção em relação à sua capacidade de pagamento.

A audiência foi proposta pelos deputados do PT,Reginaldo Lopes (MG), Ênio Verri (PR) e Alencar Santana Braga (SP), que presidiu os trabalhos. “O consumo das famílias é um importante componente da demanda agregada da economia. e, Portanto, se queremos buscar alternativas para retomar o crescimento econômico, é necessário discutir essa questão da inadimplência das pessoas físicas, é necessário aprofundar nosso entendimento a respeito desta problemática e assim avançar na construção de alternativas”, disse o deputado paulista.

Para o deputado Reginaldo Lopes, o modelo tributário impede a economia brasileira de avançar. “As quatro contas que formam o PIB são dependentes de 80% do consumo das famílias, então, qualquer modelo econômico que dependa disso está condenado à estagnação. Nossa proposta é criar um programa de recuperação de pessoas física, de uma forma desburocratizada, para que as famílias possam recuperar o fôlego e voltar a equilibras suas finanças”, sugeriu.

O defensor público do Estado de São Paulo,Rafael Pitanga Guedes destacou que o impacto deste endividamento é maior sobre os consumidores mais pobres, público hipossuficiente que procura o atendimento de Defensoria. “É preciso um esforço em rede para um projeto de educação financeira, pois o cenário de reformas legislativas coloca um futuro ainda mais incerto para pessoas mais necessitadas, com mudança de cultura, de maneira a compreenderem a necessidade de poupar e pensar no futuro”, apontou.

Outros expositores reconheceram as pesquisas da CNC como balizadoras do cenário atual. Também fizeram parte da discussão,o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, João André Cavino Marques Pereira; o analista da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae, Alexandre Guerra; o representante do Conselho Diretor do IDEC, Igor Rodrigues Brito; e o diretor de Políticas de Regulação Prudencial Riscos e Economia da Febraban, Rubens Sardenberg.

Pesquisa

A Peic Nacional é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. Das informações coletadas, são apurados importantes indicadores: percentual de consumidores endividados, percentual de consumidores com contas em atraso, percentual de consumidores que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O aspecto mais importante da pesquisa é que, além de traçar um perfil do endividamento, ela permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento.