Setor de segurança privada perde 100 mil vagas de trabalho em cinco anos

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Resultado da pesquisa é ruim para o segmento e para a economia do Brasil
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Crédito
Divulgação Fenavist

Responsável pela proteção de estabelecimentos comerciais, escolas, hospitais, indústrias, bancos e órgãos públicos, a segurança privada perdeu cerca de 100 mil vagas de trabalho nos últimos cinco anos. É o que revela a VI edição do Estudo do Setor da Segurança Privada (Esseg), produzido pela Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), entidade filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em 2014, eram 654.899 trabalhadores. No ano passado, o número caiu para 553.905. O quadro só não foi mais grave porque, depois de três anos consecutivos em queda, em 2018, o setor registrou crescimento de menos de 1% (0,98%). De acordo com o estudo, a forte crise econômica dos últimos anos afetou diretamente o setor, com vários contratantes encerrando suas atividades.

“Infelizmente, não houve surpresa com os resultados. Na edição anterior do levantamento, o indicativo já era de queda no número de empregados, provocado pela redução do total de contratantes devido à crise econômica. A queda no faturamento era uma consequência natural”, afirma o presidente da Fenavist, Jeferson Nazário.

Faturamento

Jeferson Nazário explica ainda que os resultados não são ruins apenas para o segmento e para a economia do País, mas também para o governo. “Mais de 80% do faturamento do segmento retorna para os governos municipal, estadual e federal em impostos e encargos sociais. Somos responsáveis por cerca 0,5% do PIB do Brasil. Logo, o governo tem arrecadado menos também. Além disso, são menos vigilantes nas ruas ajudando a garantir a segurança da população”, argumenta.

Outro aspecto que comprova o encolhimento do setor, mesmo diante do aumento dos índices de criminalidade, é a queda do faturamento. No ano passado, as empresas de segurança, vigilância, escolta armada, transporte de valores e cursos de formação receberam pelos serviços prestados, segundo estimativas, R$ 33.767 bilhões. Quase um bilhão a menos que em 2017, que já havia registrado queda em relação a 2016. É importante ressaltar que os valores não correspondem ao lucro. Incluem também gastos com salários, impostos, encargos sociais e outros.

Esse cenário poderia ter sido minimizado, segundo Nazário, se o Projeto de Lei nº 4.238/2012, que reúne mais de uma centena de propostas que tramitavam no Congresso Nacional sobre segurança privada tivesse sido votado. Segurança em eventos, proteção da área externa de presídios e outras propriedades militares são apenas algumas das atividades pelas quais o segmento poderia assumir a responsabilidade, de forma a desafogar a segurança pública, como ocorre nos países do Primeiro Mundo.

O Estatuto da Segurança Privada tramitou por sete anos até estar pronto para ser votado, em regime de urgência, pelo Plenário do Senado, no fim de 2017. No entanto, até hoje tal votação não ocorreu.

Por motivos desconhecidos, a proposta, que conta com o apoio dos trabalhadores, Polícia Federal (órgão responsável pela fiscalização e regulamentação da atividade) e dos empresários, não foi votada.

Agora, com o início da nova legislatura, também sem uma explicação sólida, o relator da proposta na Comissão de Transparência e Finanças, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), solicitou uma nova audiência pública, o que atrasa ainda mais a tramitação.

“Centenas de policiais que poderiam retornar às ruas, reforçando o efetivo, sem a necessidade de recursos do governo que enfrenta sérios problemas de caixa, continuarão subutilizados Uma vez que sem a aprovação da nova lei, a segurança privada não pode assumir novas funções”, afirma o presidente da Fenavist.