15 August, 2018

Enaex 2018 debate custo Brasil e entraves para o comércio exterior

O chamado Custo Brasil foi um dos temas principais da abertura do Enaex 2018

Crédito: Guarim de Lorena

O chamado Custo Brasil foi um dos temas principais da abertura do Enaex 2018

O chamado Custo Brasil – conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no País e tiram competitividade no comércio exterior – foi um dos temas principais da abertura do Enaex 2018, realizada dia 15 de agosto, no Rio de Janeiro. O evento, referência no setor, é promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, disse que, apesar dos superávits constantes na balança comercial, o País vem perdendo mercado por exportar basicamente commodities, produtos que, além de não contarem com valor agregado, sofrem forte influência externa. "Já em 2018 e em 2019 nossos indicadores vão apontar queda devido à situação econômica da Argentina. Devemos fechar um saldo de U$ 56 bilhões este ano, contra os U$ 67 bilhões do ano passado", previu.

"O futuro do comércio exterior do Brasil é o passado", prosseguiu Castro, ao comparar a atual participação brasileira no comércio global com o cenário de 40 anos atrás. De acordo com dados da AEB, em 1980 o Brasil contribuía com 0,99% das exportações globais e, desde então, evoluiu para pouco mais de 1%. Enquanto isso, a China passou de uma participação de 0,88% para 13%; a Coreia do Sul, no mesmo período, subiu de 0,88% para 3,5%. “O Brasil parou no tempo, infelizmente”, constatou o presidente da AEB. “Precisamos exportar mais manufaturados. Não queremos só atender os importadores, queremos gerar demandas”, completou.

Reformas são urgentes

Entre as razões do pessimismo, o presidente da AEB elencou o alto Custo Brasil – estimado em 30% em estudo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimac). Castro diz que o único caminho é promover reformas (tributária, previdenciária, entre outras) urgentemente, reduzir a burocracia, investir em infraestrutura e acabar com a insegurança jurídica que assustaria os mercados nacional e internacional.

O presidente de honra da AEB, Ernane Galvêas, que é também consultor econômico da CNC, disse que, apesar do cenário, o comércio exterior está ajudando o Brasil a enfrentar a crise atual. “Vivemos um dos piores períodos de recessão da história e o comércio exterior, principalmente o setor agroexportador, vem sendo de grande importância para o País”, disse Galvêas, ao saudar os participantes da 37ª edição do Enaex.

Nova plataforma de consulta de dados

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de Lima, destacou os desafios para tornar o comércio exterior mais competitivo. Segundo o ministro, o diálogo e o fortalecimento das relações com mais de 15 países, entre eles China e Estados Unidos - importantes parceiros comerciais do Brasil –, oferecem a possibilidade de melhor acesso para as exportações brasileiras a países que representam metade do PIB mundial.

O ministro citou também as ações que vêm sendo realizadas em relação à agenda regulatória de comércio exterior e promoveu o lançamento do Comex Stat, a nova plataforma que substitui o Aliceweb, atual sistema de consultas on-line de estatísticas de comércio exterior do governo brasileiro.

O Enaex 2018 prossegue até amanhã (16/08), com painéis e debates, reunindo empresários, executivos, especialistas, fornecedores de serviços de logística, acadêmicos e demais públicos interessados.

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