15 January, 2018

Mais de um terço dos belo-horizontinos compra por impulso

O percentual de consumidores de Belo Horizonte que faz planejamento financeiro subiu de 68,5%, em junho de 2017, para 69,6%, em dezembro, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Doméstico, elaborada pela Fecomércio-MG. O índice também ficou acima dos 62,2% apurados no mesmo mês de 2016. No entanto, apenas 25,8% conseguem seguir rigorosamente o que foi proposto. Além disso, mais de um terço das famílias (34,4%) não resiste aos atrativos das lojas e realiza compras por impulso. 

O economista da Federação, Guilherme Almeida, observa que essa prática pode ser positiva, mas exige cautela, especialmente em um cenário de recuperação da economia. “Esse indicador tem trajetória crescente desde junho de 2016, quando passávamos por uma fase aguda de recessão. Nesse período, o comércio tem feito ações ativas, com grandes descontos e promoções, para captar essa demanda reprimida dos clientes. É interessante o consumidor ficar atento e aproveitar as oportunidades para adquirir algo já pretendido. Porém é fundamental avaliar se ele realmente tem capacidade para comprar”, argumenta. 

Almeida explica que há risco de as pessoas voltarem a se endividar de forma desordenada, em função de uma situação financeira mais favorável neste momento, da retomada do acesso ao crédito e de terem postergado o consumo por algum tempo. “O planejamento dos gastos é fundamental, assim como a avaliação cuidadosa de uma compra. Se ela for realizada por impulso, pode desequilibrar todo o orçamento e levar à inadimplência, o que é ruim tanto para o consumidor quanto para o mercado”, completa o economista. 

Manter os compromissos correntes e financeiros na ponta do lápis ou na planilha eletrônica ainda evita problemas, como alguns identificados pelo estudo da Fecomércio MG. O levantamento mostra que o total de entrevistados que recorre, com frequência, a algum tipo de financiamento para cobrir despesas cotidianas aumentou de 30,1%, em junho, para 33,8%, no final do ano. Apenas 51,4% programam os gastos mensais e ainda contam com sobra de dinheiro. 

Já quando o orçamento não cobre os compromissos, 32,2% deixam de consumir algo que consideram supérfluo, 14,8% desistem de pagar alguma conta ou prestação, enquanto o mesmo percentual utiliza recursos da poupança ou demais aplicações para saldar o “rombo”. Outros 12,8% tomam empréstimo com algum familiar ou terceiros. 

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