10 August, 2017

Turismo pode promover inclusão com uso de tecnologia

Crédito: Guarim de Lorena

Quarto painel do seminário debateu a necessidade de equilíbrio entre o uso da tecnologia e a inclusão social

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O quarto painel do seminário Impactos da Economia Colaborativa – Alimentação, Transporte e Agências de Viagem, promovido pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no Rio de Janeiro, dia 7 de agosto, abordou debates acerca da necessidade de equilíbrio entre o uso da tecnologia e a inclusão social.

Para Manuela Yamada, representante no Brasil da OuiShare, comunidade global e um coletivo de freelancers e empresários voltados para o desenvolvimento de uma “sociedade colaborativa”, é preciso unir a economia colaborativa e a inovação como forma de combater a crise econômica e promover a inclusão. Manuela esclareceu que a Economia do Compartilhamento pressupõe um sistema econômico baseado no compartilhamento de bens ou serviços subutilizados. “Plataformas como o Uber e o Airbnb foram pensadas para serem de consumo colaborativo, mas elas acabaram tomando outro caminho, entrando no mercado capital como qualquer outro negócio”, analisou a especialista. Yamada destacou que as inovações têm que somar e não causar desequilíbrio de mercado. “A tecnologia está aumentando a desigualdade social, no Brasil e no mundo”, disse Manuela. “É preciso que as empresas entendam o lucro não só como financeiro, mas também como lucro social”, afirmou.

Manuela enfatizou que a economia colaborativa deve evoluir junto à inovação social – no caso de plataformas de locação de imóveis, entre as oportunidades está a possibilidade de ativar territórios não tradicionais como áreas turísticas. “A criação de uma cadeia de inovação social ligada ao turismo é muito importante para inclusão social.” Ela citou exemplo da Casa Brota, primeiro espaço de coworking no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, como uma alternativa de uso do turismo como sendo agente de inovação social. “A tecnologia está aumentando a desigualdade social no Brasil e no mundo e, somada à quarta revolução industrial, constitui um cenário de terror e pânico”, apontou.

Mudanças podem ser inesperadas

Os efeitos da tecnologia no mercado de trabalho foram abordados pelo jornalista e colunista de tecnologia Pedro Doria, que defendeu a diminuição da carga horária como solução para a redução de vagas de emprego que tecnologias como a inteligência artificial vão gerar. “A gente passará por uma fase de transição, vai ter muita gente de 50 anos que nos próximos dez anos vai ver sua profissão se extinguir e não vai ter tempo de se recolocar no mercado”, disse. “Acredito que a redução da carga de trabalho e a implementação de um sistema de renda mínima podem ajudar no combate às questões sociais geradas pela tecnologia”, complementou o colunista. “Não partam do princípio que vai ser aos poucos e que vai dar para se adaptar, pode ser de repente”, afirmou, ao citar o mercado da música – segundo ele, da década de 1980 até os anos 2000, as vendas de álbuns chegavam a 25 milhões de cópias e, em 2001, caíram para 8,5 milhões. “Daí em diante só caía. Foi a primeira indústria a sofrer com as tecnologias. A indústria começou a processar as pessoas que baixavam músicas, seus clientes”, disse.

Engajamento no Congresso

O deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) garantiu durante o painel que o debate sobre os temas abordados no seminário é frequente na Câmara dos Deputados e que está pessoalmente engajado. “A vida coletiva sempre requereu que se estabelecessem regras. Temos que estabelecer esses procedimentos”, defendeu. Para Leite, é preciso que a lei seja de vanguarda, desburocratize os negócios, promova o investimento em inovação, como as chamadas startups, e garanta uma concorrência equilibrada. “O nosso objetivo é tentar encontrar denominadores comuns que possam servir de transição e que sejam reguladores. O Brasil vai ter que discutir essa questão de conciliar a iniciativa de alguém que quer alugar seu espaço e ter uma renda com a realidade de quem já está no mercado e gera emprego e renda para muitas pessoas. Estou preocupado que esses fenômenos sejam compreendidos e que nos adaptemos para que ao fim tenhamos mais empregos e mais inclusão. A universalização desses bens é importante, mas um dever obsessivo de todos nós é criar mecanismos de ocupação de mão de obra”, pontuou.

Para o parlamentar, também é preciso destravar a burocracia e criar mecanismos que facilitem as atividades econômicas. “Trabalhamos para incentivar às micro e pequenas empresas, estou convencido que precisamos criar um capítulo à parte da economia da inovação na pequena empresa”, complementou. Para Otávio Leite, é preciso ainda valorizar as parcerias público-privadas, além de mecanismos facilitadores das iniciativas empresariais, para ajudar na recuperação econômica do País. O parlamentar acredita que a Lei da Micro e Pequena Empresa precisa de um estatuto para as novas tecnologias para que ela seja de vanguarda.

A mediadora Maureen Flores destacou, com base nas opiniões dos palestrantes, que, da mesma forma que muitas competências vão desaparecer, outras serão criadas. “Temos a recessão brasileira, o fenômeno da tecnologia e baixa capacitação e produtividade da população brasileira. Ninguém tem respostas sobre o que vai sobreviver, o que vai acabar, o que vai adiante”, argumentou.

O seminário Impactos da Economia Colaborativa – Alimentação, Transporte e Agências de Viagem é o terceiro de uma série de cinco eventos, denominada Turismo: Cenários em Debate, que o Cetur da CNC vai realizar em 2017, com o objetivo de elaborar um documento final com as conclusões e sugestões de políticas públicas.

Assista abaixo o painel na íntegra:

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